BECE

Lançamento do Livro “Quando o mundo vê minha roupas sujas no varal ” de Rodrigo Andrade – Mediação: Maura Isidorio

Sinopse: Nem todo segredo mata pelo medo de ser descoberto. Alguns sufocam porque o mundo se recusa a enxergá-los. O silêncio sempre me acolheu como um velho amigo — constante, íntimo —, mas nunca vinha sozinho. Trazia consigo o peso de uma casa onde as palavras morriam antes mesmo de nascer. Aprendi, cedo demais, a desviar o olhar daquilo que pulsava à minha volta — risos, abraços, olhares atentos demais. Meu corpo tornou-se um arquivo de marcas, algumas tão profundas que ultrapassaram a pele e cicatrizaram na alma. E o mais cruel é que essas feridas foram deixadas por mãos que deveriam ser abrigo. As roupas no varal… Ah, as roupas. Para muitos, apenas panos secando ao sol. Para mim, eram bandeiras tremulando minhas verdades ao vento. Cada mancha, um lembrete. Cada rasgo, um grito. Ali, estendi a vergonha que me impuseram, o medo que me plantaram, a dor que tatuaram em mim. E, ao vê-las balançar sob o céu indiferente, desejei que o mundo enxergasse além do tecido — que visse o sangue, o suor e as lágrimas que o manchavam.

Não se trata de culpa, mas de coragem: a de abrir feridas que o mundo insiste em esconder. Não falo de roupas, falo do que suplica por liberdade sob cada dobra, cada costura. E, se estas páginas forem meu varal, que exibam, sem disfarces ou julgamentos, aquilo que milhões de pessoas escondem todos os dias. Porque precisei rasgar a minha própria pele para estendê-las. E, ao lê-las, talvez o mundo entenda, enfim, que o varal é sempre o último — e desesperado — pedido de ajuda.

Minibio: Rodrigo Andrade é natural de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, e atua como profissional da saúde e servidor público do Estado do Ceará. Desde muito jovem, desenvolveu uma relação intensa com a escrita e a leitura, que se tornaram refúgio, voz e instrumento de expressão. Seu primeiro livro, Quando o mundo vê minhas roupas sujas no varal, mergulha em temas como violência doméstica, abandono afetivo e superação, trazendo à tona experiências reais traduzidas em narrativa literária. Por meio da escrita, busca oferecer acolhimento, identificação e força a quem enfrenta dores silenciosas. Apaixonado por crochê, acredita que toda criação — seja com fios ou palavras — tem o poder de costurar memórias, curar feridas e reconectar histórias.

  • 00

    dias

  • 00

    horas

  • 00

    minutos

  • 00

    segundos

Data

30 abr 2026

Horário

15:00

Custo

GRATUITO

Localização

BECE

Organizador

BECE
BECE